quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Um certo brilho nos olhos...


Num belo dia, acordei com uma mensagem da Marina, uma brasileira de São Paulo (SP) dizendo para ajudá-la a desenvolver um trabalho de artes na cidade vizinha, Matola.
Como estava sozinha na Polana Caniço... Com escolinha fechada, ONG desorganizada, etc. não pensei duas vezes em aceitar o convite da paulistana.

(Resolvi mudar de ONG também porque percebia que não estava fazendo tudo o que eu poderia fazer... Sabia que poderia dar mais de mim... Vim para fazer o máximo que pudesse... Mas para isso, precisava de outro anjo para me ajudar (Marina)... Sei que essa decisão poderá me custar um certificado da ONG, mas não me importei... Um papel não mudaria em nada! Estou a cada dia aprendendo a ser humano, e para tanto, não preciso de um Lattes para comprovar isso...).

Marina fez um grupo na rede social Facebook intitulado “Ajudinha”. Com a ajuda de todos, conseguiu arrecadar mais de R$ 3.000,00 (aproximadamente 39.000 Meticais!) para a compra de materiais escolares para mais de 800 crianças da “Escola Primária Completa Matola ‘A’”.

Esta semana (10/09), entregamos a todas as crianças um caderno, uma caneta, um lápis e uma borracha. Pode parecer pouco... Mas para eles é muito! A cada entrega do material, apreciava o brilho nos olhos de cada um... O quanto eles estavam felizes por ter um lápis diferente da Disney, do filme “Carros” ou ainda, do Homem Aranha... O quanto era grande o sorriso recebendo uma borracha com desenho de borboleta ou de um carro (eles ainda faziam o movimento do carro, como se a borracha estivesse andando).

Ainda, com o dinheiro foram compradas várias caixas de lápis de cor, tintas guaches, apontadores, bolas de futebol, A4, etc... Com esses materiais, vamos continuar desenvolvendo as oficinas até dia 21 de setembro.
Os trabalhos realizados foram - e vão ser - pintura, desenho, teatro, brincadeiras infantis e contação de histórias (‘O Pequeno Príncipe’ e ‘Chapeuzinho Vermelho’) divididos em 3 turmas: às 9h00min, 10h30min e 12h30min... Esses horários são intervalos entre uma turma e outra.

As aulas regulares das escolas públicas começam às 06h30min para algumas turmas, às 11h00min e às 13h00min para outras. (aqui amanhece muito cedo e por volta das 17h00min já está escurecendo). No horário das 06h30min, duas turmas têm aulas embaixo das árvores por falta de espaço na escola.

Como estou feliz por estar desenvolvendo esse trabalho... Passar o conhecimento (matéria/conteúdo) é muito importante, mas o simplesmente “estar” ali, já faz a diferença para cada uma destas crianças... Apenas brincando, abraçando, beijando. Essas crianças pedem somente carinho e atenção. Muitas não têm nem o que comer em casa, outras são órfãos de pais que perderam suas vidas devido ao HIV... Lembro-me das palavras da amiga e agora colega, Professora Angélica Morales na minha aula da saudade quando estava prestes a me formar em Ciências Biológicas...

“O que se leva da vida (acadêmica) são os momentos que passamos juntos... O conteúdo, infelizmente, acabamos esquecendo, mas as alegrias, tristezas, risos, lágrimas – momentos bons e ruins – que passamos juntos ao longo de quatro anos ficarão marcados para o resto da vida. O conteúdo, aprenderemos na prática e no convívio com a vida profissional de cada um...”

É o mesmo que acontece aqui! Ficarão os momentos marcados em cada criança... É claro que algum conhecimento sempre fica, graças a Deus, mas como eu guardo cada momento como se fosse único... E este está sendo com toda a certeza, O ÚNICO!

O sacrifício está sendo maior... Saio de casa às 06h30min de carona com o Amiro até a ‘Guerra Popular’. Lá pego o chapa com destino à Matola. São mais de uma hora para se chegar até o ponto (sem contar o empurra-empurra, os mais diversos odores, calor. Quando aparece um chapa, todos que estão no ponto correm para poder entrar, pois pode não conseguir. É como se fosse um articulado da VCG (Centro/Uvaranas) às 18h00min - #sóquenão heuheuheu). Chegando lá, temos que andar mais meia hora embaixo de um sol escaldante até chegar à escola.

No meio do caminho, encontramos várias pessoas que já conheciam a Marina. As crianças são as mais engraçadinhas. Quando nos veem de longe já gritam “-Amigas, amigas!” e acenam.

Chegando à escola, somos recebidas com beijos, abraços, cartinhas... Marina olha e fala “- É isso que faz valer a pena todo o sacrifício”. E com toda a certeza, posso dizer que ela está certíssima! Canimambo!!! (Obrigada em Xangana).



2 comentários:

  1. Pode chorar e ficar emocionada em plena sexta à noite? Agradeço, do fundo do coração, por ter aceitado o convite, por ir comigo lá e por me ajudar a fazer a diferença. A gente veio, fez e conseguiu. A nós, missão mais que cumprida.
    Além disso, obrigada pelas risadas no deserto, pelos animais que eu me tornei (valeu Sohel) e por não termos super bonder conosco!

    Sentirei saudades de tudo isso!

    <3

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