quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A África chorou...


Ontem (04 de setembro), uma parte da África - em especial Moçambique, chorou. Joana, Tiago e Claudia, os portugueses, estão voltando para suas casas. Moçambique chorou, pois é a primeira vez, em meses, que gotas de chuva caem em Maputo.

Não gosto muito de despedidas... E prometi para mim mesma que não iria derrubar uma lágrima... Não tive como segurar.

Estávamos em Nelspruit (África do Sul) com Claudia. O dia foi maravilhoso, queríamos aproveitar ao máximo o tempo que nos restava. Voltando, iríamos levá-los ao Aeroporto para o voo que seria às 23h00min, mas devido à chuva, foi adiado para às 01h20min.

Ao longo do dia, sempre me passava pela cabeça “- Hoje será difícil”.

Joana e Tiago foram meus anjos da guarda. Foram os primeiros intercambistas que conheci. Falo que se consegui sobreviver até agora em Maputo, foi por causa deles. Penso: “- E agora, como vai ser?”.

Se adaptar a uma nova cultura, costumes leva um tempo. Quando se está sozinha em um lugar desconhecido, você começa a reorganizar suas prioridades perante sua vida. Você aprende! Você vê em outras pessoas, o conforto de um abraço de mãe, de pai, irmãos e amigos. Eu vi esse conforto em braços portugueses...

Quando cheguei ao apartamento provisório, subindo 163 degraus exaustivos, lembro que uma menina arrumava as malas no quarto. Pergunto seu nome: “- Joana”, respondeu ela. Contei-lhe que minha avó se chama Joanna. E ela diz, “- Minha avó se chama Adelaide e minha mãe é bióloga”. Coincidências? Não. Apenas é Deus querendo que você esteja, onde você está (sempre falei esta frase para ela).

Com eles aprendi muitas coisas. Jogar o papel higiênico “na sanita” (uma vez que não utilizam lixeiras); aprendi a “pegar emprestado” o mesmo papel higiênico da padaria para podermos ter. Aprendi o que é o pequeno almoço (café da manhã); a tomar banho de canequinha; aprendi a pegar chapa (van); mas principalmente, aprendi o que é amar o próximo sem pedir nada em troca.
Eu só tenho a agradecer a tudo que fizeram por mim... Quantos abraços, risadas, gargalhadas, conversas, histórias, lágrimas, medos, anseios...

Se a Claudia é o sol que irradia o R8 (república dos intercambistas), vocês são o sol que irradiou a minha vida em Moçambique.

Uma cena que não vou esquecer jamais em minha memória, sou eu olhando-os ir para a sala de embarque quando Tiago para o carrinho com as malas e começa a chorar. Não me contive. Joana fala “- Vai lá abraçar ela!”. Ele veio em minha direção e como num momento mágico, estávamos os três mosqueteiros se abraçando. Essa amizade que nasceu através de um propósito tão lindo irá passar as fronteiras africanas... Espero vocês no Brasil, ora, pois!



Obs: Quando ouvirem essa música, sempre lembrem-se de mim, portugueses lindos!








Sentirei saudades... <3

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