Ontem
(04 de setembro), uma parte da África - em especial Moçambique, chorou. Joana,
Tiago e Claudia, os portugueses, estão voltando para suas casas. Moçambique
chorou, pois é a primeira vez, em meses, que gotas de chuva caem em Maputo.
Não
gosto muito de despedidas... E prometi para mim mesma que não iria derrubar uma
lágrima... Não tive como segurar.
Estávamos
em Nelspruit (África do Sul) com Claudia. O dia foi maravilhoso, queríamos
aproveitar ao máximo o tempo que nos restava. Voltando, iríamos levá-los ao
Aeroporto para o voo que seria às 23h00min, mas devido à chuva, foi adiado para
às 01h20min.
Ao
longo do dia, sempre me passava pela cabeça “- Hoje será difícil”.
Joana
e Tiago foram meus anjos da guarda. Foram os primeiros intercambistas que
conheci. Falo que se consegui sobreviver até agora em Maputo, foi por causa
deles. Penso: “- E agora, como vai ser?”.
Se
adaptar a uma nova cultura, costumes leva um tempo. Quando se está sozinha em
um lugar desconhecido, você começa a reorganizar suas prioridades perante sua
vida. Você aprende! Você vê em outras pessoas, o conforto de um abraço de mãe,
de pai, irmãos e amigos. Eu vi esse conforto em braços portugueses...
Quando
cheguei ao apartamento provisório, subindo 163 degraus exaustivos, lembro que
uma menina arrumava as malas no quarto. Pergunto seu nome: “- Joana”, respondeu
ela. Contei-lhe que minha avó se chama Joanna. E ela diz, “- Minha avó se chama
Adelaide e minha mãe é bióloga”. Coincidências? Não. Apenas é Deus querendo que você esteja, onde você
está (sempre falei esta frase para ela).
Com
eles aprendi muitas coisas. Jogar o papel higiênico “na sanita” (uma vez que
não utilizam lixeiras); aprendi a “pegar emprestado” o mesmo papel higiênico da
padaria para podermos ter. Aprendi o que é o pequeno almoço (café da manhã); a
tomar banho de canequinha; aprendi a pegar chapa (van); mas principalmente,
aprendi o que é amar o próximo sem pedir nada em troca.
Eu
só tenho a agradecer a tudo que fizeram por mim... Quantos abraços, risadas,
gargalhadas, conversas, histórias, lágrimas, medos, anseios...
Se
a Claudia é o sol que irradia o R8 (república dos intercambistas), vocês são o
sol que irradiou a minha vida em Moçambique.
Uma
cena que não vou esquecer jamais em minha memória, sou eu olhando-os ir para a
sala de embarque quando Tiago para o carrinho com as malas e começa a chorar. Não
me contive. Joana fala “- Vai lá abraçar ela!”. Ele veio em minha direção e
como num momento mágico, estávamos os três mosqueteiros se abraçando. Essa
amizade que nasceu através de um propósito tão lindo irá passar as fronteiras
africanas... Espero vocês no Brasil, ora, pois!
Obs: Quando ouvirem essa música, sempre lembrem-se de mim, portugueses lindos!
Sentirei saudades... <3
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