Não
haveria título melhor se não fosse esta frase do livro “O Pequeno Príncipe”...
Entre
lágrimas, mais uma vez, descrevo como foi uma das melhores semanas da minha
vida.
Posso
dizer, com todas as palavras... Missão Cumprida! Hoje (21/09), terminamos as
atividades desenvolvidas com as crianças na Matola.
A
sensação é ao mesmo tempo de dever cumprido e um aperto no coração inexplicável.
Passar
pela cabeça, que poderei nunca mais rever estes rostinhos me entristece...
Essas mesmas crianças, que em duas semanas me fizeram sentir a pessoa mais útil
e feliz do mundo!
Quanto
aprendizado irei levar comigo!!! Quanto amor pelo próximo compartilhado!!!
Quantos sorrisos... Quantos abraços... Quantos beijos... Quantos “titias”,
“professoras”... Quantos obrigados (Kanimambos)... Quanta felicidade!
Não
tenho como expressar o tamanho da minha gratidão por estar aqui (MOZ) neste
momento. Escutar um “- Sentiremos saudades, mas é uma saudade boa”, “-Nunca se
esqueçam de mim”, “Olha! Elas têm cabelos de princesa”, “- Vocês são como se
fossem minha família”... Para Marina, a sensação foi mais longe... Uma criança
diz: “- Você é como se fosse minha mãe!”.
Sentirei
até saudade dos “-Estou a pedir bola”... “- Estou a pedir lápis de cor!”,
“-Estou a pedir caderno”...
Tantos
“a pedir” ouvidos por nós duas... Mas tenho certeza do que eles realmente estão
“a pedir” é amor e carinho...
Não
foi nem uma, nem duas... Mas muitas crianças que choravam com a nossa
partida... Vinham nos abraçar e pediam para nunca nos esquecermos delas... Essa
sensação de ser amada e querida não tem preço.
Hoje,
mais uma vez, entregamos alguns presentes nas salas. Com o dinheiro que sobrou,
Marina compra uma caixa de lápis de cor para ser entregue a cada criança
juntamente com um kit lanche (refrigerante + bolacha + chocolate)... Vemos nos
olhos, novamente, o quanto eles estavam felizes!
Bastava
eu e Marina todos os dias apontar na esquina, que vinham alguns correndo...
Outros, que estavam tendo aula embaixo da árvore, acenavam...
Lembro-me
de uma cena... Uma menininha (de uns quatro aninhos) vem ao meu lado (eu estava
concentrada lendo o livro, sentada e sozinha)... Dá-me um beijo na bochecha e simplesmente
sai... Não precisou ela falar nada! Eu achei fantástico esse momento!
É
lógico também que tivemos momentos tensos... Quando tínhamos a sensação de
estarmos sendo seguidas... Como quando roubaram uma das bolas e as crianças
ouviram o que roubou falando que se alguém fosse buscá-la iria morrer. As
crianças ainda nos alertam “-No sítio deles, eles só andam com facas!”.
Decidimos então deixar a bola... Mas, para nossa surpresa, hoje, a bola estava
na escola. As crianças, junto com o guarda, recuperaram-na. No entanto, um
pouco antes de irmos embora... Roubaram outra.
Momentos
engraçados... Eu e Marina íamos até o ponto para pegar o chapa e voltar para a
cidade. Ela o chamava de “deserto”. E parecia mesmo. Mas, sempre tentávamos
pegar uma carona pelo meio do caminho (eu sei que alguns vão me matar por ter
feito isso hahaha)... Era somente quando sentíamos que o (a) motorista tinha
uma cara “boa”... (Ai entram as histórias de libaneses e nigerianos quererem o
seu rim)... Felizmente, nestas caronas, ninguém os quis.
Durante
estas duas semanas, senti várias sensações. Para se trabalhar com crianças, nas
condições em que estas se encontravam, devemos ter o emocional muito bem
equilibrado. Quantas vezes, vendo uma cena absurda, de indignação... Quantas
vezes engolimos o choro... Quantas vezes ríamos para não chorar.
É
nestes momentos em que mais precisávamos de serenidade com as coisas que
causavam impacto... (não só em relação às crianças, mas principalmente quando
pensava em desistir de tudo e me perguntar: “- Onde eu estava com a cabeça de
vir para cá”). Buscava esta serenidade em um livrinho que ganhei de minha irmã
e uma mensagem escrita para mim em uma folha solta... A cada vez que o abria,
pedia a melhor mensagem para confortar-me... Deus não falha. Era sempre a
resposta que eu esperava.
Agradeço
à Marina que me proporcionou tamanha experiência com estas crianças, mas
também, agradeço imensamente à Joana (Portuguesa) que fez essa ponte entre nós
duas. Na Matola me encontrei e reencontrei...
Bom, li esse texto entre risos e lágrimas. Ao ler, ia imaginando cada cena, completando cada frase antes de terminar. Não tenho mais palavras para descrever além do que vc já postou. É, exatamente, tudo isso.
ResponderExcluirAgradeço, mais uma vez, por tudo!
E, principalmente, por ser minha dupla fisiológica =)
Sentirei ENORMES saudades