Antes
de contar como foi esta experiência maravilhosa, quero agradecer a minha
segunda família aqui. Família Cruz Pinto.
Quando
soube que vinha para Moçambique, conheci o Marco, moçambicano que estuda no
Brasil (na época, em Ponta Grossa).
Marco
ficou muito feliz e logo contou a sua família que eu viria. Antes da viagem,
peguei os contatos dos pais (Leonel e Paula).
A
primeira que eu conheci foi Paula. Que moçambicana alegre e cheia de vida!
Sentamos na padaria e fomos conhecendo-nos (eu, Paula, Tiago e Joana)...
Soubemos que fazia dança africana, que tinha 4 filhos (Michel, Edson, Marco e
Tiago), que fazia bolos decorativos para festas, entre outras coisas...
No
dia seguinte, mais uma ligação. Leonel e Tiago (filho) estavam por perto e
queriam nos conhecer. Marcamos na mesma padaria (a gente adorava essa padaria,
principalmente pelo papel higiênico - HAHAHA). Tomamos um café (meu primeiro em
Maputo. Lembro que estava com muita vontade de tomar um, pois no apartamento
não tinha).
Depois
de conhecer os pais do Marco e o irmão, me senti mais segura nesta cidade.
Havia uma semana que estava aqui. A insegurança e o medo eram amigos
constantes.
Saber
que existe mais alguém que está cuidando de você é ótimo. Sei que se
acontecesse algo, tinha para quem ligar. Graças a Deus, até hoje não aconteceu
nada de extremo.
Fomos
embora, subimos os 163 degraus no escuro e dormimos felizes com o barulho dos
ratos na cozinha. Lá pelas 10h00min da manhã, meu (ex) celular toca. Era Leonel
perguntando: “- Vamos para Macaneta?”. Levantamos correndo e nos arrumamos (já
publiquei sobre Macaneta).
Aquele
passeio fez com que a cada dia me sentisse como uma filha para cada um. Não
tenho palavras para descrever o quanto sou grata pelo carinho, dedicação,
cuidado e atenção que recebo desta família.
Para
agradecer a tudo o que eles faziam por nós três, decidimos levá-los para jantar
na “Costa do Sol”. Um restaurante à beira mar. Lá, conheci o Edson, o outro
filho. Estava combinado que nós pagaríamos como sinal de gratidão. Mas eles são
tão generosos que não deixaram. Nosso plano foi por água abaixo.
Combinei
com Paula que no próximo domingo iríamos à Matola. Uma cidade vizinha à Maputo.
Tia Melita (irmã de Paula) nos acompanhou. Não existe pessoa mais feliz que Tia
Melita. A alegria dela é contagiante... Lembro que fomos comprar um chip para o
celular e o vendedor jogou o preço lá em cima. Tia Melita grita “- Isso é um
roubo! Só porque é branca?” E ele responde “- E você é uma Mahometana!”
(Muçulmana). Os dois começaram a discutir, pois Tia Melita não é. Nessa hora eu
e Paula riamos muito. Porque não tem um dia que não me chamem de Mulungo
(branco em Xangana, dialeto local). Outra situação foi no mercado. Havia uma
fila enorme para os caixas. Aqui em vez de fila eles chamam “bicha”. Então,
havia uma bicha enorme. Uma das vezes que foram para o Brasil, em uma fila
qualquer ela grita: “- Olha o tamanho dessa bicha!!!”. Nem preciso comentar que
todos os brasileiros olharam. (HAHAHA)
Foi
nesse dia que conheci a CruPin Road (Cruz Pinto). Há anos Leonel pintou uma
placa para indicar a localização de uma casa que hoje, está alugada. Paula me
conta que iriam muito lá quando os meninos eram pequenos. Voltamos para Maputo
onde almoçamos em um restaurante com música ao vivo. Estava tendo no mesmo dia,
uma feira internacional de gastronomia. Havia a barraca do Brasil. Comprei uma
caipirinha (horrível por sinal, pois a brasileira que fazia estava mais
alterada que os clientes hahaha). Um Moçambicano pede mais limão. Ela espreme
um no copo, mergulha a mão na vodka e ainda, lambe os dedos. Eu olhei aquilo e
pensei: “- Caraca, ela não fez isso!”. Leonel e Paula me olham e diz: “- Você
tem certeza que quer essa caipirinha ainda?!”. Não só quis a caipirinha como
também o bolo de mandioca (hahaha). Joana uma vez falou: “- Se você for pensar
muito em como se faz, nas condições de higiene, você morre de fome aqui”. Não
pensei duas vezes. Eu queria muito comer algo do Brasil.
Neste
dia Paula diz: “- Gostaríamos que você passasse um tempo em nossa casa!”.
Uaaauuu... Pra quem não tinha onde morar e que estava provisoriamente dormindo
no chão, num colchão fino, passando frio, com ratos, baratas... E agora, tinha
DUAS casas... Senti-me como a pessoa mais sortuda do mundo! Naquela hora queria
gritar, abraçar a Paula... Meus olhos brilhavam tanto que nem sei explicar...
- Welcome to the
Kruger National Park
Saímos
às 06h00min da manhã com destino à África do Sul. Eu como bióloga, não poderia
deixar de fazer um safari. Ainda mais estando no continente africano.
Leonel
vem nos buscar, eu e Epifania. Posteriormente, Michel e sua mulher, Daniela, se
juntam a nós.
Depois
de percorrer alguns quilômetros, chegamos à fronteira. A fila (bicha) estava
enorme!!! Passaportes carimbados. Logo, “Welcome to the Kuger National Park.
Leonel
conta que nos tempos da guerra, muitas pessoas fugiam de Moçambique,
atravessando ilegalmente a fronteira. No entanto, o que faz fronteira com
Moçambique é justamente o Kruger. Então, alguns eram devorados pelos animais
antes mesmo de chegar à cidade mais próxima.
Chegando
à entrada do parque, tivemos que fazer um cadastro com os passaportes para ter
certeza que sairíamos de lá em segurança, antes do anoitecer. (Há também a
opção de pernoitar em uma pousada).
Muitos
filmes já foram produzidos no Parque. Muitos com histórias verídicas de pessoas
que saíram dos carros para urinar, por exemplo, (não pode sair em momento algum
devido ao perigo) e foram devoradas.
Através
do Guia do Visitante, percorríamos o mapa em busca das melhores fotos. Neste
parque, o zelo pela biodiversidade alia-se a um patrimônio rico em diversidade
cultural que remonta a mais de um milhão de anos. Com uma área de 20.000 km²
pelo menos 147 espécies de mamíferos, 507 espécies de aves, 336 de árvores, 114
de répteis, 49 de peixes e 34 de anfíbios ( Fonte: Guia do Visitante)
Mas
queríamos mesmo era ver os “BIG FIVE”. Infelizmente só nos faltaram o Leopardo
e o Leão. Também, em um calor de 40° C (no carro marcava 43°) quem gostaria de
sair de uma sombra refrescante?
Nosso
primeiro animal foi zebra. Depois, um animal aparecia atrás do outro. No dia
anterior, rezava para que pudesse ver algum animal, pois, depende muito da
sorte do visitante. Como iria fazer muito sol, estávamos com medo de não
aparecer nenhum.
Pela
estrada, quando se vê mais à frente outro carro parado, quer dizer que há algo
de interessante. Era uma girafa!!! Linda! Fotografei-a pensando na Naiara
Mendes. =D
Rodando
mais um pouco, o que temos? Um elefante! Este atravessa a estrada. Paramos o
carro, o que é recomendado. Leonel conta que em outro parque de Maputo, uns
visitantes param o carro, esperam a fêmea passar com os filhotes. Em segundos,
ela corre em direção ao carro e finca os dentes de marfim (presas) no painel do
carro. Como se não bastasse, ela abre o capô do carro como se fosse uma lata de
sardinha. Ninguém se machucou.
Observamos
crocodilos, búfalos, rinocerontes, hipopótamos, esquilo, macacos, babuínos,
boi-cavalo, javalis, impalas, etc. e tantas outras espécies de aves e árvores.
Estava à procura de um baobá, mas não encontrei.
Paramos
em uma loja para comprar alguns souvenires. Encontramos um babuíno sentado.
Peguei um galho do chão e ofereci a ele para ver se ele buscaria. E veio. Antes
que ele chegasse até mim, larguei o galho, pois tive medo! Eles são muito
agressivos. (Dica: Nunca ofereça comida a um macaco ou babuíno. Você irá se
arrepender muito - hahaha).
(Essa é pra Naiara Mendes) =D
Addie lindas fotos!!! O Marco se formou em Comércio Exterior aqui em PG? Se sim, foi junto com a Priscila suahshauhsauh como esse mundo é pequeno!!!
ResponderExcluirNãoo!!ele faz odontologia... =D sdd Cami
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