quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Fazer o bem sem olhar a quem!


Nestas duas semanas, comecei a trabalhar a parte de Sexualidade com as crianças da ONG. É a primeira vez que fui à ONG sem a companhia de Tiago e Joana. Estava sozinha na Polana Caniço. O medo mais uma vez tomava conta. Pedi então para Arsênio me buscar num sítio que chamamos de “La Mimosa”. Saio de casa junto com uma das empregadas. No meio do caminho, temos que passar por um local agitado, com muitos lixos, carros quase atropelando as pessoas. Não tem um dia que não me chamam de mulungo. Mulungo é branco em Xangana. Tento não ver isso como preconceito. Um dia, pegando o chapa, o motorista fala: “- Mulungo na Polana?” Respondi: “- Por quê? Mulungo não pode morar na Polana? É proibido?” Ele retruca “- Mulungo tem que morar no centro!”. Achei isso um absurdo. Antes que ele me perguntasse o que fazia ali, disse que vim da casa do meu noivo. E, ele “- Ele é negro?”. Respondi que sim e depois ele completou “- Largue dele e case-se comigo!”. (eu ria interiormente!).

Outra situação que ocorreu no chapa foi semana passada. Uma mulher senta ao meu lado e diz com um sorriso “- Posso rezar por você?” e eu, “- É claro!”. Comecei a rezar junto pedindo proteção. Quem disse que a vida aqui ia ser fácil? Desço no meu ponto e ela completa: “- Seja muito Feliz!”. Amém.
Chegando na ONG, o primeiro desafio foi encontrar um lugar para começar a aula. Sentamos no chão de uma varanda de uma das casas.
Iniciei com a pergunta: “- Quem sabe me dizer que transformações ocorrem no corpo quando se chega à puberdade?”. Ninguém me respondeu. Expliquei o que era puberdade. Outro desafio. Fazer com que eles entendessem o que eu estava tentando explicar. No começo foi um tanto difícil principalmente pelas expressões diferentes do Brasil em relação à Moçambique. Felizmente Arsênio estava ali para auxiliar.

As crianças tinham idades entre 08 e 15 anos. Estavam um pouco envergonhadas devido ao tema.

Notei que eles tinham a curiosidade de conhecer mais sobre o próprio corpo, uma vez que não sabiam praticamente nada. Aquilo me partia o coração. Algumas meninas com seus 13 anos de idade nunca tinham ouvido falar em menstruação. Outros em camisinha, espermatozoide, óvulo. Outros nunca tinham analisado esquemas do sistema reprodutor masculino e feminino. Imagino como isso pode acontecer, num país em que a taxa de AIDS é elevada. Problemas na educação respondem isso. Como no Brasil, aqui o incentivo à educação é mínimo.

Sabia que dar essa aula seria um obstáculo gratificante. Pois eu poderia estar auxiliando na diminuição de muitas doenças, principalmente a AIDS.

Expliquei as transformações que ocorrem no nosso corpo e que todos passamos por esta fase.

Um dos meninos me pergunta como se transmite o HIV! Respondo tentando fazer com que eles compreendam. Levei algumas camisinhas que tinha trazido da fronteira da Suazilândia para ilustrar a aula. Ao final, peço para que todos digam: “Qual é o método contraceptivo que evita doenças sexualmente transmissíveis?”. Como num coro, todos respondem “- CAMISINHA!”. Dever cumprido!
No mesmo dia, levamos uma bola e começamos a jogar. Aquela alegria, valia por tudo!



















 
                                      

O chapa, prazer! (estava vazio ainda)











       "Eles só pedem um pouco de amor..." (e comida...) 



OBS: Agradeço a todos que acompanham o blog, mas o beijo especial hoje, vai para Michele Vargas (Mijele Verão)... Obrigada a todos pelo carinho... Daqui um mês estou ai novamente... =D



3 comentários:

  1. Addie querida, venho acompanhando seu blog e a cada novo post fico pensando: o que será que ela está aprontando agora? Parabéns pelo seu trabalho, como todos nos já sabemos, coragem não lhe falta. Beijos Fernanda Baggio Luz

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  2. Valeu Fer... mto obrigada! aproveitando pra te desejar um parabéns atrasado e feliz dia do biólogo! =) Felicidades.. Sdd!

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  3. Addie querida!!!!
    Nossa to achando super interessante sua experiência ai, vc está nos passando lições de vida, coisas tão simples que não damos valor mais que pra eles tem uma enorme importância.
    Vc está transformando a vida dessas pessoas com sua alegria contagiante tenho certeza disso..
    Se cuida ai, saudades
    Bjoos
    Alana Pontarolo

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