Nestas
duas semanas, comecei a trabalhar a parte de Sexualidade com as crianças da
ONG. É a primeira vez que fui à ONG sem a companhia de Tiago e Joana. Estava
sozinha na Polana Caniço. O medo mais uma vez tomava conta. Pedi então para
Arsênio me buscar num sítio que chamamos de “La Mimosa”. Saio de casa junto com
uma das empregadas. No meio do caminho, temos que passar por um local agitado,
com muitos lixos, carros quase atropelando as pessoas. Não tem um dia que não
me chamam de mulungo. Mulungo é branco em Xangana. Tento não ver isso como
preconceito. Um dia, pegando o chapa, o motorista fala: “- Mulungo na Polana?”
Respondi: “- Por quê? Mulungo não pode morar na Polana? É proibido?” Ele
retruca “- Mulungo tem que morar no centro!”. Achei isso um absurdo. Antes que
ele me perguntasse o que fazia ali, disse que vim da casa do meu noivo. E, ele
“- Ele é negro?”. Respondi que sim e depois ele completou “- Largue dele e
case-se comigo!”. (eu ria interiormente!).
Outra
situação que ocorreu no chapa foi semana passada. Uma mulher senta ao meu lado
e diz com um sorriso “- Posso rezar por você?” e eu, “- É claro!”. Comecei a
rezar junto pedindo proteção. Quem disse que a vida aqui ia ser fácil? Desço no
meu ponto e ela completa: “- Seja muito Feliz!”. Amém.
Chegando
na ONG, o primeiro desafio foi encontrar um lugar para começar a aula. Sentamos
no chão de uma varanda de uma das casas.
Iniciei
com a pergunta: “- Quem sabe me dizer que transformações ocorrem no corpo
quando se chega à puberdade?”. Ninguém me respondeu. Expliquei o que era
puberdade. Outro desafio. Fazer com que eles entendessem o que eu estava
tentando explicar. No começo foi um tanto difícil principalmente pelas
expressões diferentes do Brasil em relação à Moçambique. Felizmente Arsênio
estava ali para auxiliar.
As
crianças tinham idades entre 08 e 15 anos. Estavam um pouco envergonhadas
devido ao tema.
Notei
que eles tinham a curiosidade de conhecer mais sobre o próprio corpo, uma vez
que não sabiam praticamente nada. Aquilo me partia o coração. Algumas meninas
com seus 13 anos de idade nunca tinham ouvido falar em menstruação. Outros em
camisinha, espermatozoide, óvulo. Outros nunca tinham analisado esquemas do
sistema reprodutor masculino e feminino. Imagino como isso pode acontecer, num
país em que a taxa de AIDS é elevada. Problemas na educação respondem isso.
Como no Brasil, aqui o incentivo à educação é mínimo.
Sabia
que dar essa aula seria um obstáculo gratificante. Pois eu poderia estar
auxiliando na diminuição de muitas doenças, principalmente a AIDS.
Expliquei
as transformações que ocorrem no nosso corpo e que todos passamos por esta
fase.
Um
dos meninos me pergunta como se transmite o HIV! Respondo tentando fazer com
que eles compreendam. Levei algumas camisinhas que tinha trazido da fronteira
da Suazilândia para ilustrar a aula. Ao final, peço para que todos digam: “Qual
é o método contraceptivo que evita doenças sexualmente transmissíveis?”. Como
num coro, todos respondem “- CAMISINHA!”. Dever cumprido!
No
mesmo dia, levamos uma bola e começamos a jogar. Aquela alegria, valia por
tudo!

O chapa, prazer! (estava vazio ainda)
"Eles só pedem um pouco de amor..." (e comida...)
OBS: Agradeço a todos que acompanham o blog, mas o beijo especial hoje, vai para Michele Vargas (Mijele Verão)... Obrigada a todos pelo carinho... Daqui um mês estou ai novamente... =D
O chapa, prazer! (estava vazio ainda)
"Eles só pedem um pouco de amor..." (e comida...)
OBS: Agradeço a todos que acompanham o blog, mas o beijo especial hoje, vai para Michele Vargas (Mijele Verão)... Obrigada a todos pelo carinho... Daqui um mês estou ai novamente... =D


Addie querida, venho acompanhando seu blog e a cada novo post fico pensando: o que será que ela está aprontando agora? Parabéns pelo seu trabalho, como todos nos já sabemos, coragem não lhe falta. Beijos Fernanda Baggio Luz
ResponderExcluirValeu Fer... mto obrigada! aproveitando pra te desejar um parabéns atrasado e feliz dia do biólogo! =) Felicidades.. Sdd!
ResponderExcluirAddie querida!!!!
ResponderExcluirNossa to achando super interessante sua experiência ai, vc está nos passando lições de vida, coisas tão simples que não damos valor mais que pra eles tem uma enorme importância.
Vc está transformando a vida dessas pessoas com sua alegria contagiante tenho certeza disso..
Se cuida ai, saudades
Bjoos
Alana Pontarolo