Gabriel
- o Gabito como chamamos, é um menino com o coração tão puro que nos auxiliou
durante essas duas semanas. Ele foi o primeiro menino com quem conversei.
Quando nossa conversa havia acabado, Gabito fala: “-Minha mãe não me ama.” Eu,
acabando de ouvir aquilo e engolindo a seco, não sábio qual a melhor resposta.
Respondi que ela com certeza o amava, mas que poderia não saber demonstrar do
jeito que ele queria. Assim, ele me conta sua triste história. Mora com o tio
que é drogado. Conta que não possui roupas. Mariana e Mariana (a outra
brasileira que foi embora no começo de setembro) entregam a ele algumas roupas
que nunca o viu usar... Temos a certeza que o tio as pegou para vender para
comprar drogas (segundo as outras histórias de Gabito). O chinelo que ele
usava, havia acabado de encontrar no lixo. Pergunto qual seu sonho. “- Ser
médico para ajudar os outros”. Olho nos olhos dessa criança e vejo a esperança.
Bruna,
uma intercambista brasileira do Rio Grande do Sul esta realizando um trabalho
também na Matola, num posto de saúde. Ela me diz que a situação na saúde é extremamente
precária. O local não possui água. A equipe (médicos, enfermeiros, técnicos)
lava as mãos numa bacia com água. Não há luvas cirúrgicas, muito menos gases, álcool.
As seringas são reutilizadas. Os instrumentos não são esterilizados. Bruna que
é estudante de enfermagem recebeu uma quantia em dinheiro com a ajuda de todos
e pretende minimizar o problema comprando alguns dos produtos de higiene.
Conversamos sobre a imensa corrupção que existe aqui. É claro que no Brasil
também existe, mas aqui... É gritante. Recordo-me agora, de outra conversa que
tive com uma senhora. Ela me conta que a ajuda vem de todas as partes do mundo.
Mas a corrupção é tão enorme que, as doações que são feitas para ONG’s (entre
elas uma muito conhecida, mas não citarei nomes) são desviadas. E o que é visto
nos canais de televisão, são apenas uma minoria daquilo que é escolhido entre
os “corruptos” como “não” utilizáveis. A senhora diz: “- Eles só filmam algumas
doações para mostrar aos doadores que o dinheiro, roupas, etc. estão sendo
destinados aos pobres... A maioria fica com eles”.
Que
indignação. Que falta de humanitarismo... De amor ao próximo. Uma vez eu li (ou
algo assim): “Eu não tenho medo que o mundo acabe em 2012... Meu medo é que as
pessoas não mudem”. Sem mais.
Addie essas histórias realmente me emocionam mto, não existe amor ao próximo num lugar desses, existe uma competição. Fico horrorizada em saber sobre a saúde dai, e ainda reclamamos da saúde que temos aqui, é chocante todas essas histórias, tenho certeza que vc será lembrada por todas essas pessoas com quem vc dividiu momentos únicos. Parabéns por tudo..
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