domingo, 30 de setembro de 2012

Na Muka (Estou indo embora)


Em Moçambique, vi, vivi e revivi emoções. Esses olhos já viram a pobreza e também o luxo... Viram a fartura e a fome... A água e a seca... Viram a riqueza e a miséria... A tristeza e a alegria... Mas em especial, viram seres humanos que são felizes pelo que possuem e pelo que são. Sorrisos e gargalhadas que contagiam... Esses olhos que ao verem... Aprenderam o que realmente importa.

Tenho certeza que, através deste blog, incentivei muitas pessoas a fazerem o mesmo. A sair de sua zona de conforto e se preocupar um pouco com o próximo... A levantar... (desculpem-me a expressão, mas acho que vale muito dizê-la) A levantar a bunda da cadeira e ter atitude para ajudar os outros, parando de olhar para o próprio umbigo. Não precisa ser muito... Basta às vezes, estender sua mão, dar um abraço, um beijo... Uma palavra de conforto... Brincar, dar risada... Coisas que não custam nada. Pode parecer que ensinei muito aqui, mas não! Eu aprendi muito!!! Aprendi a viver! A dar valor para as pequenas e grandes coisas... Para coisas materiais e emocionais... Aprendi o valor da água, da luz, da minha rua asfaltada, do meu carro, do transporte público da minha cidade (mesmo ele sendo uma vergonha pelas condições e pela tarifa alta), da minha comida, das oportunidades de estudar, do meu cobertor e da minha cama... Do meu chuveiro com água quente... Mas principalmente, aprendi a amar e respeitar ainda mais o outro... A dar ainda mais valor ao amor de mãe, de pai, de irmãos, de avós e tios (as)...


Agora, quando estou prestes a ir embora... Sinto o que todos os intercambistas sentiram a minutos de embarcar para seu país de origem... Lágrimas caem mais uma vez... Mas estas mesmas lágrimas são de saudade, de vontade de ficar, e lágrimas de dever cumprido. Lágrimas que fizeram tudo valer a pena.


Agradeço a todos. Desde minha família e amigos brasileiros até família e amigos moçambicanos.


Por fim, escrevo uma frase do filme “O último voo do flamingo” baseado na obra de Mia Couto - escritor Moçambicano – quando fala do país: “Quem cá esteve... Nunca parte para sempre!”.
Sendo assim, até breve Moçambique.


A Razão Vive! Khanimambo!!!!

"Transformar o mundo é uma questão de compromisso"  
Waka, Waka!




E assim, aposento este blog com a música que marcou esta aventura... 
  
(We Found Love, Rihanna)



Obrigada aos intercambistas que fizeram parte desta aventura: Joana, Tiago, Sarah, Kentaro, Bruna, Ana, Mariah, Mariana, Marina, Cláudia, Alessandra, Nabil...



Brasil, estou chegando!!!




Um pouco de tudo...


A última semana em Moçambique foi agitada... Começando com a sensação de dirigir do lado direito. Em Maputo, andei com todos os transportes possíveis: chapa, maximbombo (ônibus), chopela (aqueles carros que há na Índia, os tuc tuc's). Peço ao Sohel para que me acompanhe. Sentei no banco do motorista. Girei a chave. Dei a partida. Do meu lado esquerdo, estavam as marchas. Visualizei mentalmente a localização da embreagem, freio e acelerador. Meu cérebro estava processando tudo ao contrário. Engato a primeira e lá fomos nós. Quando pegamos a rua, de que lado eu fico? Direito ou esquerdo? (hahaha) Me deu um branco. Também, perdi um pouco a noção de espaço. Quando precisava trocar a marcha, minha mão direita a procurava, mas não a encontrava. Andamos alguns quilômetros e lá estava eu, dirigindo em mão inglesa. Como já falei, o trânsito aqui é confuso. Os semáforos ficam a metros de distância dos carros (na outra esquina).  Sem contar que eles abrem todos ao mesmo tempo. Atravessar a rua então é impossível sem levar uma buzinada. Acredito que levarei uns três dias para me acostumar novamente com o trânsito da minha cidade. Então, se vocês virem um corsa amarelo andando do lado esquerdo, não se irritem. Posso até dar uma carona, se tiverem coragem. (hahaha)


Epifania e eu vamos a uma das vendinhas que existem nas ruas... São muitas. Em cada esquina há alguém vendendo recargas para celular, bolacha, pirulitos e... Areia! Sim, areia. Algumas pessoas compram pacotinhos para comer. Achei estranho. Lembrei-me de quando era criança e comia papel, tijolo, terra... Mas ver areia como alimento nunca me passou pela cabeça. É claro que muitos comem porque não tem o que comer, mas a maioria é porque gostam.


Dia 25 de setembro fomos ao aeroporto se despedir de Marina e Bruna. A partir daquele momento, eu era a única intercambista em Moçambique. Maputo era só minha. Mas a tristeza bateu mais uma vez. Eu e Sohel voltamos calados no carro. Esse carro nunca esteve tão silencioso. Quantas risadas, expressões, entre elas, a maior “A Razão Vive!”... Mas naquele momento, a saudade foi quem viveu. O dia foi estranho.
Na minha última semana, minha família muçulmana faz uma surpresa! Bem vindo à Johanesburgo!

Saímos na quinta feira (27 de setembro). Johanesburgo fica aproximadamente 500 km de Maputo. Estava muito frio. No inverno, neva. A cidade é maravilhosa. Se pudesse escolher onde morar, seria Johanes. Parece Curitiba, mas com as pessoas mais simpáticas.

Amiro vem logo mais a noite, acompanhado pelo Emerson, amigo de infância. Como rimos nessa viagem... Ouvindo o mesmo CD umas 5 vezes... (hahaha Seu Emir não trocava).

Aqui, aproveitei ao máximo. Fui ao teatro. Estava em cartaz a peça “Foi por amor” uma comédia encenada pelo grupo teatral local, Gungu. Eles possuem ainda, um canal na TV aberta que passa as peças e seriados que eles mesmos produzem.

Também, fui a balada. Acontecimentos estranhos ocorreram. Se a única noite que senti medo de verdade, foi este dia. Mas o que falar da estrutura da casa? Em uma palavra: Espetacular!

Fomos à Fortaleza. Representa a história dos portugueses em Moçambique. Recebia ataques de austríacos, holandeses, franceses e ingleses. Na década de 40, decidiu-se reconstruir a fortaleza, seguindo o traçado da anterior e instalar nela o Museu Histórico Militar.
Fui 3 vezes ao Museu da História Natural, mas sempre estava fechado. Mas, conseguimos conhecer o Museu da Moeda.

Aprende-se muito com um intercâmbio estando com uma família. Principalmente, no que diz respeito à cultura. Moçambique é rico em histórias. Dona Laurinda me conta sobre os tais remédios da lua onde a criança ao nascer, faz-se rituais para evitar problemas futuros. Aqui, pode-se chamar de “A Terra da Magia”.

Existem muitos curandeiros, assim, algumas pessoas não vão ao médico e recorrem à eles.
Antigamente, cada pessoa tinha seu nome tradicional além do que esta registrado em sua certidão. Epifania me conta que isto depende de cada família colocar ou não. A questão é que se a pessoa coloca no filho um nome tradicional, ela vai carregar todas as características desse nome, podendo ser bom ou ruim.

O lobolo. Amiro está prestes a se casar. É uma pena não poder participar desta celebração, pois já estarei no Brasil. O lobolo é um casamento aceito em Moçambique no qual o homem, oferece algo de valor à família da noiva. A família da noiva, por sua vez, faz uma lista do que quer receber. Perguntei para Dona Laurinda: “- Mas isto seria como se a mulher fosse uma mercadoria?”. Ela responde que não, pois é somente um presente entregue à família da noiva. Isto inclui presentes para os pais da noiva, avó e tias (irmãs do pai). Também, para os casamentos há o envolvimento de muitas pessoas, a chamada “Comissão”. No casamento do Amiro, é feito vários encontros, reuniões, etc. Eu participei de dois deles. O último foi na casa da noiva, Augusta. Lá tínhamos que nos apresentar. Quando chegou minha vez, falei: “- Eu sou a filha adotada!”. Todos riram. E tudo terminou em dança.

E, por falar em dança... Aprendi a dançar Kuduro e Passada. 



Um pouco de tudo...






















Brincadeira do elástico... Lembrei-me dos recreios na escola. Bons tempos.



Um beijinho roubado...





Ganhei até um bordado...




Obrigada mais uma vez. Você fez com que essa viagem valesse ainda mais... A Razão Vive!








CFM... Caminhos de Ferro



E mais uma vez estávamos no aeroporto para mais uma despedida... A próxima, será a minha. 
























 Museu da História Natural












Jantar de despedida do Tiago e Joana. 







O amigo do Lula.





Marginal de Maputo












Joahnesburgo, África do Sul.












Irmãos... tcs tcs tcs (hahaha)





A Família Completa!!!



Fábrica de Papel.










Feliz Aniversário Mandela.