A
última semana em Moçambique foi agitada... Começando com a sensação de dirigir
do lado direito. Em Maputo, andei com todos os transportes possíveis: chapa, maximbombo (ônibus), chopela (aqueles carros que há na Índia, os tuc tuc's). Peço ao Sohel para que me acompanhe. Sentei no banco do
motorista. Girei a chave. Dei a partida. Do meu lado esquerdo, estavam as
marchas. Visualizei mentalmente a localização da embreagem, freio e acelerador.
Meu cérebro estava processando tudo ao contrário. Engato a primeira e lá fomos
nós. Quando pegamos a rua, de que lado eu fico? Direito ou esquerdo? (hahaha)
Me deu um branco. Também, perdi um pouco a noção de espaço. Quando precisava
trocar a marcha, minha mão direita a procurava, mas não a encontrava. Andamos
alguns quilômetros e lá estava eu, dirigindo em mão inglesa. Como já falei, o
trânsito aqui é confuso. Os semáforos ficam a metros de distância dos carros
(na outra esquina). Sem contar que eles
abrem todos ao mesmo tempo. Atravessar a rua então é impossível sem levar uma
buzinada. Acredito que levarei uns três dias para me acostumar novamente com o
trânsito da minha cidade. Então, se vocês virem um corsa amarelo andando do
lado esquerdo, não se irritem. Posso até dar uma carona, se tiverem coragem.
(hahaha)
Epifania
e eu vamos a uma das vendinhas que existem nas ruas... São muitas. Em cada
esquina há alguém vendendo recargas para celular, bolacha, pirulitos e...
Areia! Sim, areia. Algumas pessoas compram pacotinhos para comer. Achei
estranho. Lembrei-me de quando era criança e comia papel, tijolo, terra... Mas
ver areia como alimento nunca me passou pela cabeça. É claro que muitos comem
porque não tem o que comer, mas a maioria é porque gostam.
Dia
25 de setembro fomos ao aeroporto se despedir de Marina e Bruna. A partir
daquele momento, eu era a única intercambista em Moçambique. Maputo era só
minha. Mas a tristeza bateu mais uma vez. Eu e Sohel voltamos calados no carro.
Esse carro nunca esteve tão silencioso. Quantas risadas, expressões, entre
elas, a maior “A Razão Vive!”... Mas naquele momento, a saudade foi quem viveu.
O dia foi estranho.
Na
minha última semana, minha família muçulmana faz uma surpresa! Bem vindo à Johanesburgo!
Saímos
na quinta feira (27 de setembro). Johanesburgo fica aproximadamente 500 km de
Maputo. Estava muito frio. No inverno, neva. A cidade é maravilhosa. Se pudesse
escolher onde morar, seria Johanes. Parece Curitiba, mas com as pessoas mais
simpáticas.
Amiro
vem logo mais a noite, acompanhado pelo Emerson, amigo de infância. Como rimos
nessa viagem... Ouvindo o mesmo CD umas 5 vezes... (hahaha Seu Emir não
trocava).
Aqui,
aproveitei ao máximo. Fui ao teatro. Estava em cartaz a peça “Foi por amor” uma
comédia encenada pelo grupo teatral local, Gungu. Eles possuem ainda, um canal na
TV aberta que passa as peças e seriados que eles mesmos produzem.
Também,
fui a balada. Acontecimentos estranhos ocorreram. Se a única noite que senti
medo de verdade, foi este dia. Mas o que falar da estrutura da casa? Em uma
palavra: Espetacular!
Fomos
à Fortaleza. Representa a história dos portugueses em Moçambique. Recebia
ataques de austríacos, holandeses, franceses e ingleses. Na década de 40,
decidiu-se reconstruir a fortaleza, seguindo o traçado da anterior e instalar
nela o Museu Histórico Militar.
Fui
3 vezes ao Museu da História Natural, mas sempre estava fechado. Mas,
conseguimos conhecer o Museu da Moeda.
Aprende-se
muito com um intercâmbio estando com uma família. Principalmente, no que diz
respeito à cultura. Moçambique é rico em histórias. Dona Laurinda me conta
sobre os tais remédios da lua onde a criança ao nascer, faz-se rituais para
evitar problemas futuros. Aqui, pode-se chamar de “A Terra da Magia”.
Existem
muitos curandeiros, assim, algumas pessoas não vão ao médico e recorrem à eles.
Antigamente,
cada pessoa tinha seu nome tradicional além do que esta registrado em sua
certidão. Epifania me conta que isto depende de cada família colocar ou não. A
questão é que se a pessoa coloca no filho um nome tradicional, ela vai carregar
todas as características desse nome, podendo ser bom ou ruim.
O
lobolo. Amiro está prestes a se casar. É uma pena não poder participar desta
celebração, pois já estarei no Brasil. O lobolo é um casamento aceito em
Moçambique no qual o homem, oferece algo de valor à família da noiva. A família
da noiva, por sua vez, faz uma lista do que quer receber. Perguntei para Dona
Laurinda: “- Mas isto seria como se a mulher fosse uma mercadoria?”. Ela
responde que não, pois é somente um presente entregue à família da noiva. Isto
inclui presentes para os pais da noiva, avó e tias (irmãs do pai). Também, para
os casamentos há o envolvimento de muitas pessoas, a chamada “Comissão”. No casamento
do Amiro, é feito vários encontros, reuniões, etc. Eu participei de dois deles.
O último foi na casa da noiva, Augusta. Lá tínhamos que nos apresentar. Quando
chegou minha vez, falei: “- Eu sou a filha adotada!”. Todos riram. E tudo
terminou em dança.
E,
por falar em dança... Aprendi a dançar Kuduro e Passada.
Um pouco de tudo...
Brincadeira do elástico... Lembrei-me dos recreios na escola. Bons tempos.
Um beijinho roubado...
Ganhei até um bordado...
Obrigada mais uma vez. Você fez com que essa viagem valesse ainda mais... A Razão Vive!
CFM... Caminhos de Ferro
E mais uma vez estávamos no aeroporto para mais uma despedida... A próxima, será a minha.
Museu da História Natural
Jantar de despedida do Tiago e Joana.
O amigo do Lula.
Marginal de Maputo
Joahnesburgo, África do Sul.
Irmãos... tcs tcs tcs (hahaha)
A Família Completa!!!
Fábrica de Papel.
Feliz Aniversário Mandela.