quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Meu Primeiro Safari



Antes de contar como foi esta experiência maravilhosa, quero agradecer a minha segunda família aqui. Família Cruz Pinto.

Quando soube que vinha para Moçambique, conheci o Marco, moçambicano que estuda no Brasil (na época, em Ponta Grossa).
Marco ficou muito feliz e logo contou a sua família que eu viria. Antes da viagem, peguei os contatos dos pais (Leonel e Paula).

A primeira que eu conheci foi Paula. Que moçambicana alegre e cheia de vida! Sentamos na padaria e fomos conhecendo-nos (eu, Paula, Tiago e Joana)... Soubemos que fazia dança africana, que tinha 4 filhos (Michel, Edson, Marco e Tiago), que fazia bolos decorativos para festas, entre outras coisas...

No dia seguinte, mais uma ligação. Leonel e Tiago (filho) estavam por perto e queriam nos conhecer. Marcamos na mesma padaria (a gente adorava essa padaria, principalmente pelo papel higiênico - HAHAHA). Tomamos um café (meu primeiro em Maputo. Lembro que estava com muita vontade de tomar um, pois no apartamento não tinha).

Depois de conhecer os pais do Marco e o irmão, me senti mais segura nesta cidade. Havia uma semana que estava aqui. A insegurança e o medo eram amigos constantes.

Saber que existe mais alguém que está cuidando de você é ótimo. Sei que se acontecesse algo, tinha para quem ligar. Graças a Deus, até hoje não aconteceu nada de extremo.

Fomos embora, subimos os 163 degraus no escuro e dormimos felizes com o barulho dos ratos na cozinha. Lá pelas 10h00min da manhã, meu (ex) celular toca. Era Leonel perguntando: “- Vamos para Macaneta?”. Levantamos correndo e nos arrumamos (já publiquei sobre Macaneta).

Aquele passeio fez com que a cada dia me sentisse como uma filha para cada um. Não tenho palavras para descrever o quanto sou grata pelo carinho, dedicação, cuidado e atenção que recebo desta família.

Para agradecer a tudo o que eles faziam por nós três, decidimos levá-los para jantar na “Costa do Sol”. Um restaurante à beira mar. Lá, conheci o Edson, o outro filho. Estava combinado que nós pagaríamos como sinal de gratidão. Mas eles são tão generosos que não deixaram. Nosso plano foi por água abaixo.

Combinei com Paula que no próximo domingo iríamos à Matola. Uma cidade vizinha à Maputo. Tia Melita (irmã de Paula) nos acompanhou. Não existe pessoa mais feliz que Tia Melita. A alegria dela é contagiante... Lembro que fomos comprar um chip para o celular e o vendedor jogou o preço lá em cima. Tia Melita grita “- Isso é um roubo! Só porque é branca?” E ele responde “- E você é uma Mahometana!” (Muçulmana). Os dois começaram a discutir, pois Tia Melita não é. Nessa hora eu e Paula riamos muito. Porque não tem um dia que não me chamem de Mulungo (branco em Xangana, dialeto local). Outra situação foi no mercado. Havia uma fila enorme para os caixas. Aqui em vez de fila eles chamam “bicha”. Então, havia uma bicha enorme. Uma das vezes que foram para o Brasil, em uma fila qualquer ela grita: “- Olha o tamanho dessa bicha!!!”. Nem preciso comentar que todos os brasileiros olharam. (HAHAHA)

Foi nesse dia que conheci a CruPin Road (Cruz Pinto). Há anos Leonel pintou uma placa para indicar a localização de uma casa que hoje, está alugada. Paula me conta que iriam muito lá quando os meninos eram pequenos. Voltamos para Maputo onde almoçamos em um restaurante com música ao vivo. Estava tendo no mesmo dia, uma feira internacional de gastronomia. Havia a barraca do Brasil. Comprei uma caipirinha (horrível por sinal, pois a brasileira que fazia estava mais alterada que os clientes hahaha). Um Moçambicano pede mais limão. Ela espreme um no copo, mergulha a mão na vodka e ainda, lambe os dedos. Eu olhei aquilo e pensei: “- Caraca, ela não fez isso!”. Leonel e Paula me olham e diz: “- Você tem certeza que quer essa caipirinha ainda?!”. Não só quis a caipirinha como também o bolo de mandioca (hahaha). Joana uma vez falou: “- Se você for pensar muito em como se faz, nas condições de higiene, você morre de fome aqui”. Não pensei duas vezes. Eu queria muito comer algo do Brasil.

Neste dia Paula diz: “- Gostaríamos que você passasse um tempo em nossa casa!”. Uaaauuu... Pra quem não tinha onde morar e que estava provisoriamente dormindo no chão, num colchão fino, passando frio, com ratos, baratas... E agora, tinha DUAS casas... Senti-me como a pessoa mais sortuda do mundo! Naquela hora queria gritar, abraçar a Paula... Meus olhos brilhavam tanto que nem sei explicar...


- Welcome to the Kruger National Park

Saímos às 06h00min da manhã com destino à África do Sul. Eu como bióloga, não poderia deixar de fazer um safari. Ainda mais estando no continente africano.

Leonel vem nos buscar, eu e Epifania. Posteriormente, Michel e sua mulher, Daniela, se juntam a nós.

Depois de percorrer alguns quilômetros, chegamos à fronteira. A fila (bicha) estava enorme!!! Passaportes carimbados. Logo, “Welcome to the Kuger National Park.

Leonel conta que nos tempos da guerra, muitas pessoas fugiam de Moçambique, atravessando ilegalmente a fronteira. No entanto, o que faz fronteira com Moçambique é justamente o Kruger. Então, alguns eram devorados pelos animais antes mesmo de chegar à cidade mais próxima.

Chegando à entrada do parque, tivemos que fazer um cadastro com os passaportes para ter certeza que sairíamos de lá em segurança, antes do anoitecer. (Há também a opção de pernoitar em uma pousada).

Muitos filmes já foram produzidos no Parque. Muitos com histórias verídicas de pessoas que saíram dos carros para urinar, por exemplo, (não pode sair em momento algum devido ao perigo) e foram devoradas.

Através do Guia do Visitante, percorríamos o mapa em busca das melhores fotos. Neste parque, o zelo pela biodiversidade alia-se a um patrimônio rico em diversidade cultural que remonta a mais de um milhão de anos. Com uma área de 20.000 km² pelo menos 147 espécies de mamíferos, 507 espécies de aves, 336 de árvores, 114 de répteis, 49 de peixes e 34 de anfíbios ( Fonte: Guia do Visitante)

Mas queríamos mesmo era ver os “BIG FIVE”. Infelizmente só nos faltaram o Leopardo e o Leão. Também, em um calor de 40° C (no carro marcava 43°) quem gostaria de sair de uma sombra refrescante?

Nosso primeiro animal foi zebra. Depois, um animal aparecia atrás do outro. No dia anterior, rezava para que pudesse ver algum animal, pois, depende muito da sorte do visitante. Como iria fazer muito sol, estávamos com medo de não aparecer nenhum.

Pela estrada, quando se vê mais à frente outro carro parado, quer dizer que há algo de interessante. Era uma girafa!!! Linda! Fotografei-a pensando na Naiara Mendes. =D

Rodando mais um pouco, o que temos? Um elefante! Este atravessa a estrada. Paramos o carro, o que é recomendado. Leonel conta que em outro parque de Maputo, uns visitantes param o carro, esperam a fêmea passar com os filhotes. Em segundos, ela corre em direção ao carro e finca os dentes de marfim (presas) no painel do carro. Como se não bastasse, ela abre o capô do carro como se fosse uma lata de sardinha. Ninguém se machucou.

Observamos crocodilos, búfalos, rinocerontes, hipopótamos, esquilo, macacos, babuínos, boi-cavalo, javalis, impalas, etc. e tantas outras espécies de aves e árvores. Estava à procura de um baobá, mas não encontrei.

Paramos em uma loja para comprar alguns souvenires. Encontramos um babuíno sentado. Peguei um galho do chão e ofereci a ele para ver se ele buscaria. E veio. Antes que ele chegasse até mim, larguei o galho, pois tive medo! Eles são muito agressivos. (Dica: Nunca ofereça comida a um macaco ou babuíno. Você irá se arrepender muito - hahaha). 




































                   (Essa é pra Naiara Mendes) =D 


2 comentários:

  1. Addie lindas fotos!!! O Marco se formou em Comércio Exterior aqui em PG? Se sim, foi junto com a Priscila suahshauhsauh como esse mundo é pequeno!!!

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  2. Nãoo!!ele faz odontologia... =D sdd Cami

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