Tentarei resumir essa semana em alguns parágrafos...
Antes de tudo, partindo de Ponta Grossa, minha cidade Natal,
rumo à Curitiba (Aeroporto Afonso Pena) para pegar o voo com destino ao
Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Tive muita sorte, pois no mesmo dia, a Polícia Federal
entrou em greve e revistavam TODAS as bagagens, atrasando vários voos.
Meu voo era previsto para as 10h15min com destino à São
Paulo. O peso da minha mala totalizou 23
kg e a veria novamente em Maputo, se ela não se extraviasse. Felizmente, ela
apareceu na esteira inteira...
Eu poderia estar levando duas malas de 32 kg cada uma.
Pensei: porque levar tanta coisa? Eu também posso viver com o mínimo... E,
ainda na volta, quero doar muita roupa que trouxe e materiais didáticos para a
ONG.
Enfim, embarquei rumo a mais um desafio... Despedi-me de
minha mãe, irmã e sobrinhas. Confesso que fiquei com vontade de chorar, mas fui
forte... Era uma sensação muito estranha... Não sei se era felicidade, alegria,
tristeza, medo... Mas a partir daquele momento, era só eu e Deus. Eu acho que
eu virei para trás umas 4 vezes para dar tchau e elas estavam, mesmo de longe,
a olhar para mim... Aquele momento foi único.
Cheguei ao Aeroporto de Guarulhos, o primeiro desafio:
encontrar o guichê para fazer o check-in na South African, tinha duas horas
para fazer isso. Depois de perguntar, finalmente encontrei. Fui para a sala de
embarque e lá uma surpresa...
Sentada somente eu e mais uma menina, perguntei seu nome e
para onde iria... (Aqui abro um parênteses, pois todos me falavam para não
conversar com estranhos... hahaha, mas se não começar uma conversa, não sou eu.
Enfim...) Ela me disse que estava indo para o Quênia fazer um trabalho
voluntário pela AIESEC. E eu falei, “eu também!! Estou indo para Moçambique!”.
Como foi bom encontrar mais pessoas que pensam como eu, que
o mundo pode melhorar com um pequeno gesto... Apesar de muitos em minha cidade
me chamarem de louca, nem sequer pensam o quanto se ganha distribuindo
sorrisos. Você recebe muito mais do que dá. Aprende muito mais do que se
ensina.
Um tempo depois, conheci na mesma sala de embarque, uma
moçambicana que estava no Brasil, fazendo mestrado. Segui o resto da viagem com
ela...
O voo internacional foi tranquilo, um pouco
cansativo... Partimos às 18:00 rumo à
Joahnnesburg/ África do Sul (voo 223, poltrona 51A). Lá, fiquei sabendo que no
dia anterior tinha nevado!!! Pensei: E agora?! Chegamos as 07h00min, horário
local (5 horas à mais que Brasília-). Assim, vi o nascer do sol em terras
africanas. Como é lindo!
Finalmente, cheguei a Maputo às 10h20min (dia 09/08). Passei
pela imigração, fiz uma cara muito de simpática e quando ouvi o barulho do
carimbo, era como se ganhasse na loteria.
Encontrei o pessoal da AIESEC, Marques e Sohel...
Chegando em minha casa provisória, lá conheço mais dois
moçambicanos (Omar e José) e dois portugueses que são namorados ( Joana e
Tiago)... Vou escrever sobre eles mais a frente.
Outro desafio: Não tínhamos água. Tomei banho só a noite.
Aprendendo novos costumes...
Essa semana está sendo um pouco estranha e difícil para
mim... Se habituar a cultura, costumes de outro país, é um tanto complicado...
Mas a cada dia que passa, vejo que estou a fazer parte desse povo alegre e cheio
de vida.
Uma situação engraçada foi que eles não possuem lixeiras nos
banheiros... Eu como não sabia, perguntei à Joana onde eles jogavam o papel
higiênico e outras coisas... Ela me respondeu:
- Como assim?? Na sanita (com aquele sotaque português carregado
que estou adorando, ora pois)...
É lógico que rimos muito da situação. Contei que na minha
cidade existe aterro sanitário, ela ficou pasma... Disse que em Portugal também
jogam “na sanita”.
A tarde, fomos ao shopping, muito lindo, bem organizado e
limpo. Antes, passamos na Universidade do Omar, então, andamos muito. Joana
indaga: É longe não? E Omar responde: Temos que fazer sacrifícios se quisermos
nos formar. O silêncio tomou conta...
Como o clima aqui é muito seco, não chove faz tempo, minha
garganta começou a ficar irritada... Tusso muito e tenho dores nos pulmões, mas
tudo é uma questão de tempo...
- o Apartamento:
Como já falei, moro provisoriamente com 3 Moçambicanos e mais
dois portugueses, moramos no 8° andar. Não temos elevador... São 163 degraus
que temos que vencer todos os dias! Não temos água quente para tomar banho.
Moramos ao lado de uma mesquita, e como é o período do Ramadan, o jejum para os
muçulmanos, ouvimos direto de madrugada as rezas deles. É muito estranho e ao
mesmo tempo, bonito de se ouvir...
As brasileiras aqui fazem muito sucesso... Já fui pedida em
casamento pelo motorista da chapa! (hahahaha)... Chapa é como eles chamam aqui as vans, para
transporte de um sítio (local) para outro. É muito divertido, damos muitas
risadas com as situações... Cada chapa transporta umas 20 pessoas para mais ao
preço de 5 Meticais (em torno de 50 centavos)...
Já levei muitas buzinadas para atravessar a rua. Aqui é tudo
ao contrário, mão inglesa como chamam. Os volantes dos carros ficam do lado
direito, então, a disposição dos carros na rua também é ao contrário. Muitas vezes
olhamos para o lado errado...
No dia 11 de agosto, José fez uma proeza, consegue fazer um
curto circuito e ficamos sem luzes. Esta viagem está sendo a mais difícil, mas
também a mais fascinante. Estou adorando o povo moçambicano. Neste mesmo dia,
fomos a uma feirinha de artesanatos que acontecem todos os sábados.
Como somos estrangeiros, os ambulantes pedem um preço
altíssimo pelos objetos, tem que se pechinchar muito aqui... Numa dessas
barracas, conheci o Dodó, um artesão que faz bolsas... Encomendei a minha. =)
Foi a primeira vez que saímos todos os intercambistas:
brasileiros, dinamarqueses, franceses, portugueses, chineses... - brasileiro
aqui é muito comum... Sem contar que são muito bem recebidos!!!
Na volta, Tiago e Joana me levaram conhecer a Casa de Ferro –
o mesmo construtor da Torre Eiffel. Passamos pela enorme estátua em homenagem à
Samora Moisés Machel, o primeiro presidente de Moçambique depois da independência.
Passamos por um centro de cultura “Franco Moçambicano” que
estava tendo capoeira. Li no banner e estava escrito Brasil x Alemanha... Automaticamente
lembrei de minha mãe. Fiquei ali por um tempo e seguimos para casa...
Esta noite, no escuro, refleti muito sobre minha vida... o
que eu quero deixar para minha próxima geração... e tenho certeza que vai ser
muitas histórias também... Pensei muito em minha família e amigos, e li as coisas
que todos fizeram pra mim e que eu trouxe... Aquilo me deu um força
sobrenatural e me encorajou a seguir com meu objetivo!
Addie, que lindo o que vc escreveu, acho que essa experiência dá um belo livro. O Mundo tem muito que aprender no campo das Relações Humanas e vs já provou que uma mestre nessa área. Assim como no Rondon aprenderás Muito mais do que ensinará, estamos aguardando seu retorno para vermos as fotos e ouvir suas histórias regada com muito riso. Grande abraço! Mário Lopes
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