Hoje,
22 de agosto é o aniversário do Arsênio, um menino da ONG que estava
completando 22 anos de idade. Arsênio tem um grave problema de coração e necessita
urgente de um tratamento. Entretanto, o tratamento só é disponível na Europa.
Joana comenta com seu pai, que é médico em Lisboa, que argumenta a necessidade e
urgência desse tratamento. Maputo (muito menos outras províncias de Moçambique)
não possui estrutura necessária para isso.
O
que mais motiva-nos a ajudar Arsênio, é que, mesmo com o sério problema de
saúde, ele ainda pensa e trabalha para o bem do próximo, auxiliando também, na
Escola da Paz, onde a ONG ASDECUMO a princípio estava utilizando. Contudo, com
o agravamento do problema, ele não consegue andar longas distâncias e nem fazer
muito esforço.
Como
era seu aniversário, Joana deu a ideia de fazermos um bolo e levarmos a ele
para uma “festa surpresa”. A alegria desse menino me fez perceber o quanto já
valeu a minha vinda para cá.
Fizemos
um bolo na casa da família de Epifania (onde estou morando), com os ingredientes
e as medidas alternativas ao que estava escrito na receita. E é claro, que o
medo do bolo não crescer, abatumar, ou não ser saboroso nos afligia toda hora.
Gravamos esse acontecimento.
O
bolo assou, cresceu... Pegamos, eu, Tiago e Joana, a chapa rumo à casa de
Arsênio que se localiza próximo a Escola da Paz. Nos encontramos no local
marcado, com o André (português que esta visitando os pais que moram em Maputo)
e Arsênio (que nem imaginava o que estava por vir).
No
meio do caminho, uma menininha da comunidade, nos olha, aponta e grita...
“Branca! Ela é branca!” Nesse momento eu abri um sorriso e disse um “Oi, tudo
bem com você?” e ela apenas sorriu... Fazendo com que eu pensasse que nós ali,
éramos como um acontecimento do dia para ela.
Chegamos a casa. Arsênio entra primeiro, depois os meninos, enquanto eu e Joana ficamos
pelo lado de fora a tentar acender as velas que André havia comprado... Dois
cisnes na lagoa (22).
Estava
ventando... As velas acendiam e apagavam... Mesmo assim, entramos e começamos a
cantar parabéns. Arsênio não acreditava no que estava vendo e ficou sem reação.
Eu, segurando o bolo, cantei somente a primeira parte do parabéns. Os
portugueses continuaram a cantar uma parte diferente, e não apenas repetir
novamente as rimas em um ritmo mais rápido. E eu só no lalalala... rsrs
Ao
terminar a canção, falo para Arsênio “-Faz um pedido!”. No meu interior,
acredito que ele pediu o tratamento.
Naquele
momento, tenho a certeza de que cresceu uma esperança em Arsênio e em nós
também.
Todos
da casa começaram a gritar... “Discurso, discurso!”. Ele agradece e diz que é o
dia mais feliz da vida dele. Que mudamos seu dia e que era muito grato...
Aquele
homem ficou sem palavras, não sabia o que dizer. Mas víamos em seus olhos a
gratidão que expressava. Existem momentos em que não é preciso falar nada.
Apenas sentir.
Joana
e Tiago entregam a ele umas recordações de Portugal para nunca se esquecer
desse dia. Entre as lembranças, havia um calendário em que Arsênio pediu-nos
para assiná-lo e marcar o dia do nosso aniversário.
Escrevi:
“Que Deus te abençoe muito. Adelaine (Brasil)”.
Os
portugueses falaram que é tradição dar uma “mordida” na vela e fazer um pedido.
Arsênio pega as duas velas, coloca junto ao seu rosto, fecha os olhos por
alguns instantes e beija a vela como se estivesse selando aquele pedido. Neste
momento, todos olharam em silêncio.
Não
podia deixar de não postar com a máxima urgência esse dia. Decidimos arrecadar
dinheiro para ajudar no tratamento de Arsênio. Se você que está viajando
comigo, lendo todos os acontecimentos que estão aqui em Moçambique, e quiser
ajudar também, agradecemos a colaboração e seremos gratos pelo resto da vida.
Por favor, entre em contato.
Mesmo
com muitas coisas acontecendo aqui, as dificuldades, sofrimentos presenciados,
medos, traumas... Se eu puder ajudar esse menino, que tem a vida inteira pela frente,
conseguir esse tratamento... Eu vou ter a certeza do porque eu estou aqui! Por
que Deus me permitiu vir tão longe.
O mundo seria muito melhor se existissem mais pessoas como Arsênio. Não podemos deixar que esse anjo, deixe esse mundo... Pois muitas crianças moçambicanas ainda dependem dele para ter esperança.
Muito obrigada.
adelaine, eu te amo. beijão.
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