Essa semana está sendo a mais longa e a mais difícil... A primeira semana é só maravilhas. É quando viajamos e conhecemos lugares novos, tudo é lindo. A segunda... Bem, a segunda é aquela que você pensa desesperadamente em voltar embora e desistir de tudo.
Não julgues, pois só sente isso quem se vive ou já passou por situação parecida. Temos que viver um dia de cada vez para não surtar, enlouquecer. A todo o momento tenho que respirar e pensar: Hey, calma! Você está aqui por um objetivo. Cumpra-o!
Mas neste dia desabei... Fui assaltada. Comecei a andar pela rua sem saber o que fazer. Joana me abraça e diz para ficar calma e que vamos rir disso um dia.
Não foi pelo material. Foi pela situação de impotência que senti. Pela fragilidade e insegurança.
Lembro-me de Joana falando: “Aqui nós somos como se fossemos uma mosca. Podemos estar vivos agora e passar um segundo e, puff. Acabou!”.
Mas, penso que em todo lugar é assim. Corremos riscos constantemente. Estamos sujeitos a tudo. E não posso deixar que acontecimentos como esse me abalassem. Poderia acontecer com qualquer um, em qualquer lugar do mundo. Nesse momento, recordo de uma frase que eu gosto muito: “Deus quer que você esteja, onde você está”.
Muitas coisas boas têm acontecido aqui. Aqueles sorrisos como já disse, enchem meu dia de alegria. Esse povo é extremamente alegre e cativante.
Dia 16, quinta-feira, nosso dia de folga, acordo com meu celular tocando (Ops! O celular não me pertence mais - heuheuheu). Era seu Leonel, pai de um amigo moçambicano, o Marco que estudava em minha cidade. Ele nos leva a Macaneta. Uma praia paradisíaca que estava deserta por não ser temporada.
A praia fica a alguns quilômetros daqui. A estrada de acesso é muito precária. Temos que passar pela balsa. Rodamos mais alguns quilômetros e lá estávamos. Bem vindo à Macaneta!
Foi a primeira vez que senti as águas geladas do Índico. Essa sensação foi surpreendente. Estar ali foi como um sonho realizado. Tive por instantes, a consciência de que estava praticamente do outro lado do mundo. É nesses momentos em que fazemos as exclamações: “Olha até onde eu fui capaz de chegar! Se eu tive coragem de chegar até aqui, tenho coragem para ir onde quiser”.
Almoçamos em um restaurante. Éramos os únicos clientes. Comemos lula. Como acompanhamento, havia salada e batatas fritas (aqui se comem muitas batatas fritas desde o “pequeno almoço” ou “mata bicho”, o café da manhã para os brasileiros).
Foi a primeira vez que vi cachorros em Moçambique. Achei muito estranho e perguntei. Falaram que com a vinda dos chineses eles andaram “sumindo” das ruas. Houve tempos também que algumas pessoas queimavam os animais. Confesso que fiquei chocada.
Soubemos um pouco da história do povo moçambicano. Seu Leonel contou-nos sobre sua vida e alguns acontecimentos do país. Relembrou o sofrimento com a enchente no começo dos anos 2000. Disse que a água chegava a atingir o 3° andar. Há uma foto de uma mulher que deu a luz em cima de uma árvore. Foi notícia mundial.
Contou-nos também que em setembro haverá a escolha da nova mulher do Rei da Suazilândia. Ele escolhe uma a cada ano. Ele conta que é como se fosse um concurso que todas as mulheres virgens querem participar. Ela ganharia muito com isso, mas principalmente, sua família. O processo de seleção é feita por senhoras de idade que examinam o corpo e se a candidata é realmente virgem. Só a partir dessa seleção é que o rei escolhe a finalista.
Ao voltar para a estrada, encontramos algumas crianças que estavam chegando da escola. Vimos um menino brincando com um aro de bicicleta. Leonel nos conta que isso fez parte de sua infância também. Brincamos com o aro, e depois de algumas (muitas) tentativas, consegui empurra-lo e fazê-lo rodar.
Como a vida é tão simples e leve. Alguns podem pensar que a vida aqui pode ser sofrida, mas nem imaginam que eles possuem o essencial e o necessário para sobreviver... a felicidade e a vontade de viver.
O dia foi perfeito. Não tinha como não ser.
E, finalmente, conheci minha família. É uma família muçulmana. A casa é muito aconchegante. Sem contar que estar com uma família é aprender ainda mais sobre a cultura. Sábado (18 de agosto)foi o fim do Ramadan, o jejum para os muçulmanos.
No dia 19 de agosto de 2012, eles celebram o fim do Ramadan com um grande almoço. Convidaram a Joana e o Tiago também. Foi muito bom. Lembrei-me dos almoços de domingo na casa da minha avó Joanna ou no Guaragi (distrito de Ponta Grossa) em que a família se reunia.
Comemos as comidas típicas dos muçulmanos e conheci a família inteira. Nunca me senti tão bem recebida. Estou no paraíso aqui.
Contarei mais da família na próxima postagem. Mas, antes que vocês pensem, eles não usam burca. rsrs
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