terça-feira, 14 de agosto de 2012

Brasil x Moçambique


Tentarei resumir essa semana em alguns parágrafos...

Antes de tudo, partindo de Ponta Grossa, minha cidade Natal, rumo à Curitiba (Aeroporto Afonso Pena) para pegar o voo com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Tive muita sorte, pois no mesmo dia, a Polícia Federal entrou em greve e revistavam TODAS as bagagens, atrasando vários voos.
Meu voo era previsto para as 10h15min com destino à São Paulo.  O peso da minha mala totalizou 23 kg e a veria novamente em Maputo, se ela não se extraviasse. Felizmente, ela apareceu na esteira inteira...

Eu poderia estar levando duas malas de 32 kg cada uma. Pensei: porque levar tanta coisa? Eu também posso viver com o mínimo... E, ainda na volta, quero doar muita roupa que trouxe e materiais didáticos para a ONG.

Enfim, embarquei rumo a mais um desafio... Despedi-me de minha mãe, irmã e sobrinhas. Confesso que fiquei com vontade de chorar, mas fui forte... Era uma sensação muito estranha... Não sei se era felicidade, alegria, tristeza, medo... Mas a partir daquele momento, era só eu e Deus. Eu acho que eu virei para trás umas 4 vezes para dar tchau e elas estavam, mesmo de longe, a olhar para mim... Aquele momento foi único.

Cheguei ao Aeroporto de Guarulhos, o primeiro desafio: encontrar o guichê para fazer o check-in na South African, tinha duas horas para fazer isso. Depois de perguntar, finalmente encontrei. Fui para a sala de embarque e lá uma surpresa...

Sentada somente eu e mais uma menina, perguntei seu nome e para onde iria... (Aqui abro um parênteses, pois todos me falavam para não conversar com estranhos... hahaha, mas se não começar uma conversa, não sou eu. Enfim...) Ela me disse que estava indo para o Quênia fazer um trabalho voluntário pela AIESEC. E eu falei, “eu também!! Estou indo para Moçambique!”.

Como foi bom encontrar mais pessoas que pensam como eu, que o mundo pode melhorar com um pequeno gesto... Apesar de muitos em minha cidade me chamarem de louca, nem sequer pensam o quanto se ganha distribuindo sorrisos. Você recebe muito mais do que dá. Aprende muito mais do que se ensina.
Um tempo depois, conheci na mesma sala de embarque, uma moçambicana que estava no Brasil, fazendo mestrado. Segui o resto da viagem com ela...

O voo internacional foi tranquilo, um pouco cansativo...  Partimos às 18:00 rumo à Joahnnesburg/ África do Sul (voo 223, poltrona 51A). Lá, fiquei sabendo que no dia anterior tinha nevado!!! Pensei: E agora?! Chegamos as 07h00min, horário local (5 horas à mais que Brasília-). Assim, vi o nascer do sol em terras africanas. Como é lindo!

Finalmente, cheguei a Maputo às 10h20min (dia 09/08). Passei pela imigração, fiz uma cara muito de simpática e quando ouvi o barulho do carimbo, era como se ganhasse na loteria.
Encontrei o pessoal da AIESEC, Marques e Sohel...
Chegando em minha casa provisória, lá conheço mais dois moçambicanos (Omar e José) e dois portugueses que são namorados ( Joana e Tiago)... Vou escrever sobre eles mais a frente.
Outro desafio: Não tínhamos água. Tomei banho só a noite.



Aprendendo novos costumes...

Essa semana está sendo um pouco estranha e difícil para mim... Se habituar a cultura, costumes de outro país, é um tanto complicado... Mas a cada dia que passa, vejo que estou a fazer parte desse povo alegre e cheio de vida.

Uma situação engraçada foi que eles não possuem lixeiras nos banheiros... Eu como não sabia, perguntei à Joana onde eles jogavam o papel higiênico e outras coisas... Ela me respondeu:
- Como assim?? Na sanita (com aquele sotaque português carregado que estou adorando, ora pois)...

É lógico que rimos muito da situação. Contei que na minha cidade existe aterro sanitário, ela ficou pasma... Disse que em Portugal também jogam “na sanita”.

A tarde, fomos ao shopping, muito lindo, bem organizado e limpo. Antes, passamos na Universidade do Omar, então, andamos muito. Joana indaga: É longe não? E Omar responde: Temos que fazer sacrifícios se quisermos nos formar. O silêncio tomou conta...
Como o clima aqui é muito seco, não chove faz tempo, minha garganta começou a ficar irritada... Tusso muito e tenho dores nos pulmões, mas tudo é uma questão de tempo...

- o Apartamento:
Como já falei, moro provisoriamente com 3 Moçambicanos e mais dois portugueses, moramos no 8° andar. Não temos elevador... São 163 degraus que temos que vencer todos os dias! Não temos água quente para tomar banho. Moramos ao lado de uma mesquita, e como é o período do Ramadan, o jejum para os muçulmanos, ouvimos direto de madrugada as rezas deles. É muito estranho e ao mesmo tempo, bonito de se ouvir...


As brasileiras aqui fazem muito sucesso... Já fui pedida em casamento pelo motorista da chapa! (hahahaha)...  Chapa é como eles chamam aqui as vans, para transporte de um sítio (local) para outro. É muito divertido, damos muitas risadas com as situações... Cada chapa transporta umas 20 pessoas para mais ao preço de 5 Meticais (em torno de 50 centavos)...

Já levei muitas buzinadas para atravessar a rua. Aqui é tudo ao contrário, mão inglesa como chamam. Os volantes dos carros ficam do lado direito, então, a disposição dos carros na rua também é ao contrário. Muitas vezes olhamos para o lado errado...


No dia 11 de agosto, José fez uma proeza, consegue fazer um curto circuito e ficamos sem luzes. Esta viagem está sendo a mais difícil, mas também a mais fascinante. Estou adorando o povo moçambicano. Neste mesmo dia, fomos a uma feirinha de artesanatos que acontecem todos os sábados.

Como somos estrangeiros, os ambulantes pedem um preço altíssimo pelos objetos, tem que se pechinchar muito aqui... Numa dessas barracas, conheci o Dodó, um artesão que faz bolsas... Encomendei a minha. =)
Foi a primeira vez que saímos todos os intercambistas: brasileiros, dinamarqueses, franceses, portugueses, chineses... - brasileiro aqui é muito comum... Sem contar que são muito bem recebidos!!!


Na volta, Tiago e Joana me levaram conhecer a Casa de Ferro – o mesmo construtor da Torre Eiffel. Passamos pela enorme estátua em homenagem à Samora Moisés Machel, o primeiro presidente de Moçambique depois da independência. 
Passamos por um centro de cultura “Franco Moçambicano” que estava tendo capoeira. Li no banner e estava escrito Brasil x Alemanha... Automaticamente lembrei de minha mãe. Fiquei ali por um tempo e seguimos para casa...

Esta noite, no escuro, refleti muito sobre minha vida... o que eu quero deixar para minha próxima geração... e tenho certeza que vai ser muitas histórias também... Pensei muito em minha família e amigos, e li as coisas que todos fizeram pra mim e que eu trouxe... Aquilo me deu um força sobrenatural e me encorajou a seguir com meu objetivo!

Um comentário:

  1. Addie, que lindo o que vc escreveu, acho que essa experiência dá um belo livro. O Mundo tem muito que aprender no campo das Relações Humanas e vs já provou que uma mestre nessa área. Assim como no Rondon aprenderás Muito mais do que ensinará, estamos aguardando seu retorno para vermos as fotos e ouvir suas histórias regada com muito riso. Grande abraço! Mário Lopes

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